Escrito nos raros momentos de folga de uma jornada fatigante.

Consulte o dicionário do cinismo, no rodapé do blog.

Divulgação literária e outros babados fortes

Versos cretinos, crônicas escrotas e contos requentados. O resto é pura prosa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desabamento causa vítimas fatais. Descaso das autoridades.

Justo hoy estaba yo dándole vueltas en la cabeza a un texto después de ver cierto documental sobre ruinas recientes. Bajo el título de “Unfinished spaces”, aparecían recogidos varios testimonios de arquitectos y alumnos que participaron en la edificación del Instituto Superior de Arte (ISA). Todos narraban la belleza original del proyecto, lo novedoso de su estructura y los deseos de hacer coincidir en él tanto la forma como la creación. Pero también hablaron del abandono de la construcción de algunas de sus facultades, que nunca llegaron a terminarse. De manera que estaba yo pensando en columnas, ladrillos y techos cubiertos de maleza cuando me llamaron para contarme de un derrumbe en Centro Habana. En las calles Infanta y Salud, un edificio de tres plantas no soportó más y se vino abajo en la noche del martes 17 de enero.

Enseguida recordé la cantidad de veces que había transitado por esa cuadra apurando el paso ante el mal estado de los balcones y de las paredes. Evoqué todos aquellos momentos en que me pregunté cómo era posible que siguiera habitado aquel lugar tan al borde del colapso. Para los habitantes de ese edificio, llegó demasiado tarde la rebaja de materiales de construcción decretada sólo hace unas pocas semanas. Los daños estructurales que sufría el inmueble ya no tenían remedio, porque eran el resultado de la indolencia estatal y las décadas de falta de pintura, cemento y otros recursos materiales para reparar. El quejido que se sintió antes de ceder el piso y desplomarse los muros forma parte también del estertor arquitectónico de una barriada con casas hermosas. pero en estado terminal.

Hasta ahora, los medios oficiales han reportado tres fallecidos y seis heridos en el derrumbe de la calle Infanta. Personas que vivieron los últimos años de su vida mirando hacia arriba y calculando el tiempo que le quedaba a las vigas del techo, temiendo lo que finalmente sucedió. ¿Cuántos otros hay en esta capital que pueden correr mañana la misma suerte? ¿Qué solución urgente se aplicará para que esas tragedias no sigan siendo parte del escenario cotidiano? No vamos a aceptar una respuesta al estilo de que “se está estudiando el tema para aplicar soluciones de manera paulatina”. Tampoco nos vengan ahora con que la culpa la tienen los propios moradores que se quedaron en un lugar inhabitable. ¿A dónde hubieran podido ir? En lugar de eso exigimos que se construya, se repare, se nos proteja.

Do blog de yoanis, a blogueira cubana.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Balanço antecipado do Carnaval

Todo ano, desde 2007, eu republico esta poesia. Parece que o Carnaval não muda. E nem o Iraque.

Balanço do carnaval em Minas


Setentas léguas de engarrafamento
Trinta vítimas fatais. Em Bagdá
Porque aqui, bem prá lá de Bagdá
Foram treze, de uma tacada só
E se esperam mais, a qualquer momento

No meio de tanta gente
Duzentos e cinqüenta e nove cabaços
Voaram felizes para o espaço
Trinta e sete estupros, infelizmente
Também, no meio de tanta gente

Noventa e quatro novos casos de Aids
Oitenta e um fetos indesejados
No meio de tantos desejos,
No meio de tantos afetos
Eva laçou Adão com uma serpentina

Mil trezentos e trinta e seis poetas
Tristes e embriagados
Cantaram em versos de pé quebrado
As mulatas analfabetas e as mocinhas iletradas
Salve o balanço! A malícia! E o requebrado!

Um milhão, quinhentos e dezenove mil litros foram bebidos
Sem contar toda a erva que foi fumada
Fora o que foi cheirado. Os comprimidos?
Não falo dos êxtases alcançados
Nem dos picos
Porque são muitos e são fáceis os caminhos para o Paraíso

Noventa e quatro milhões de reais em dívidas novas
Não importa que na realidade
A felicidade não se venda
A fantasia tem crédito ilimitado
Não depende de comprovação de renda

Ah meu Deus
Quanta felicidade!
O que seria, oh senhor
Se não houvesse o Carnaval!

sábado, 14 de janeiro de 2012

O que deu errado?

Um aspecto comum a todos países que adotaram o chamado socialismo real é a sua concepção sobre o papel do partido. Seguiu-se o modelo soviético: a classe operária só pode ter um partido e cabe a ele dirigir a revolução. Em Cuba, a criação do partido foi muito posterior à tomada do poder. No Leste Europeu, vários partidos coexistiram durante certo tempo. No final, todos convergiram para o modelo soviético.
Ao analisar a restauração do capitalismo na antiga União Soviética, trotsquistas e stalinistas convergem num ponto: houve uma degeneração do partido. Como isto foi possível? Eu iniciei minha militância escutando: o peixe apodrece pela cabeça, ou seja, a partir da direção.
E por que esta degeneração é possível? A resposta clássica é que, enquanto há luta de classes, a ideologia burguesa ou pequeno-burguesa penetra constantemente no partido. Como só a ideologia operária é capaz de conduzir o processo de construção do socialismo vitoriosamente, há um retrocesso inevitável.
As relações entre os partidos comunistas nunca aconteceram em pé de igualdade. Sempre houve um centro dirigente, um partido guia. Primeiro a União Soviética e depois, para alguns, o farol chinês e, em seguida, o farol albanês. A imagem é muito poderosa: o farol ilumina o caminho e ajuda a evitar os escolhos. Quem não o segue, corre o risco de naufragar. A luz do farol, é claro, é o pensamento do grande líder. Inicialmente, o grande timoneiro, Mao Tse-tung. Depois, Enver Hodja.
Para a AP e outros partidos da linha chinesa mais ortodoxa, o pensamento Mao-Tsetung era uma nova etapa do marxismo. Os poucos partidos que seguiram a Albânia colocavam Enver Hodja em uma posição mais modesta: houvera o marxismo e em seguida o leninismo, que era a teoria da revolução na época do imperialismo. Enver era “apenas” o maior marxista-leninista vivo. Mao nunca havia sido marxista. Era um revisionista.
Aqui começam a surgir algumas questões incômodas: como é que um país que não seguiu o farol corretamente pôde chegar ao porto seguro do socialismo? Como é que a China, guiada por revisionistas, pode ser considerada como um modelo, nos dias de hoje? Afinal, a degeneração, ou o apodrecimento do peixe, é por definição um processo irreversível.
Para se acomodar o socialismo de mercado adotou-se o ecletismo. Já não há mais farol. Existem diferentes caminhos para se chegar ao socialismo, levando em conta as características históricas e culturais de cada país.
Durante muito tempo, a China adotou a concepção de que havia sempre duas linhas em conflito dentro do Partido. Basicamente: a linha do proletariado e a linha da burguesia. Em 69, o sucessor nomeado de Mao, aclamado pelo IX Congresso, era Lin Piao. Em 71, ele era um renegado que havia conspirado com os revisionistas soviéticos.
Pode-se fazer a ginástica mental que se queira - não há como achar um fio condutor entre as trocas na liderança do partido chinês, com as sucessivas ascensões e quedas de Deng Chiao-Ping, que garanta a continuidade de uma linha proletária.
Sintomaticamente, nos países onde a continuidade política foi maior, adotou-se uma sucessão dinástica e familiar. É o caso emblemático da Coréia do Norte, que está no terceiro Kim da dinastia. Lá o filho mais velho, o delfim, teve que ser descartado.
Outros delfins, escolhidos por afinidade pessoal ou ideológica, tiveram destino pior do que o exílio. O avião de Lin Piao, com sua família, caiu ou foi abatido sobre a Mongólia. Na Albânia Mehmut Sehu, o sucessor de Enver suicidou-se (há boatos de que teria sido executado e até de que teria sido morto num duelo). A família foi devidamente encarcerada. Ismail Kadaré, o romancista albanês, abordou o tema em “A sucessão”.
Einstein foi o último grande físico clássico. A teoria da relatividade especial é uma tentativa de “salvar” o eletromagnetismo, integrando-o num só corpo teórico, com a mecânica clássica. Para fazer isto teve que abandonar o conceito de tempo absoluto. Talvez esteja na hora de salvar o socialismo, abandonando a concepção soviética de partido.
Neste ponto, a crítica à prática é fundamental. Em teoria, sempre se elogiou a direção colegiada, o papel da crítica e da auto-crítica e se negou a subordinação na relação entre os partidos.
Se não se praticou a democracia interna, muito pior foi a relação do partido com a sociedade. Criaram-se regimes monolíticos. O conceito de inimigo do povo foi introduzido para caracterizar qualquer atitude contrária à direção. Em uma matéria, só havia dois caminhos possíveis: o que levava à vitória da revolução e o dos inimigos do povo.
Há uma anedota que diz que na União Soviética a poesia era muito valorizada: lá se fuzilava por causa de um poema. A partir de um certa época, uma vez adotada uma posição pelo partido, era proibido continuar a defender a idéia contrária, mesmo seguindo a disciplina partidária. Era preciso abjurar o que se havia defendido. O simples fato de haver defendido uma posição condenada no passado era uma mancha que não podia ser apagada.
O que valia para o partido valia para toda a sociedade. A polícia política trabalhava com cotas de contra-revolucionários. Se a cota não era cumprida, era por falta de zelo revolucionário. Nos locais de trabalho e de moradia, todos se vigiavam. A delação foi institucionalizada e os piores elementos se apossaram dos postos de direção, já que apenas carreiristas sem princípios podiam se acomodar a esta situação. Não havia um sistema legal que fosse respeitado.
Este modelo levou o governo a substituir os sovietes, o partido a substituir o governo, o Comitê Central a substituir o partido, o Bureau Político a substituir o Comitê Central e, finalmente, o Secretário Geral a substituir a todos.
Ainda hoje, perduram uma série de ditaduras semelhantes, encobertas pelo rótulo do anti-imperialismo, ou mesmo do socialismo. Não dá para se defender uma alternativa socialista sendo solidário com estes regimes.
Respondendo à questão inicial, a causa da degeneração deve ser procurada nas próprias escolhas que foram feitas. O partido bolchevique escolheu governar sozinho -ao fazê-lo, acabou substituindo a iniciativa das massas e os organismos de democracia direta. Para abafar as críticas, sufocou a democracia interna - ao fazê-lo favoreceu os burocratas e os carreiristas. Os burocratas se tornaram indispensáveis para dirigir o país, criando um sistema que se auto-reproduzia. Este foi se tornando cada vez mais fechado e monolítico, exigindo um grau de repressão tal que eliminou todo resquício de legalidade. Num sistema em que não há a livre discussão e em que a iniciativa é desencorajada, se adota o voluntarismo. O tão falado planejamento era uma série de cifras adotadas arbitrariamente e que eram cumpridas apenas no papel.
Enquanto o país pôde crescer extensivamente, graças à utilização de enormes recursos naturais e da super-exploração da mão de obra, com investimentos maciços na indústria pesada e às custas de uma espoliação dos camponeses, o regime se manteve. O próprio inimigo externo serviu como cimento. O patriotismo foi adotado como fator de união nacional.
Quando o modelo se esgotou, houve a implosão. Muito antes, uma série de alternativas à direita foram testadas. O eurocomunismo acabou levando a social-democracia que hoje é apenas uma continuação do neo-liberalismo. O pragmatismo levou ao socialismo de mercado, que é o capitalismo sob a direção de um partido dito socialista. Nos partidos de esquerda que não estão no poder, adotou-se a tática eleitoral como centro. Isto tem levado ao surgimento de governos populistas, notadamente na América Latina.
Países que dependiam da antiga União Soviética para se sustentar economicamente, como Cuba, estão em passo acelerado para o capitalismo. De modo geral, embora o capitalismo esteja em crise profunda, não dá para apontar uma alternativa socialista viável. A solução é começar quase do zero. Há uma análise marxista da economia capitalista e de sua forma de exploração que pode servir de base para uma plataforma socialista. O resto está por fazer.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A morte do Grande Irmão


RIO - A julgar pelos números divulgados pelo governo norte-coreano, as homenagens públicas ao ditador Kim Jong-il estão entre as cerimônias fúnebres mais concorridas da História. De acordo com as autoridades, cerca de 5 milhões de pessoas se reuniram diante de retratos e estátuas do Querido Líder na capital, só nas primeiras 48 horas. Considerando-se a população do país de aproximadamente 24 milhões, quase um quinto dos norte-coreanos - e isso só na capital - já teria prestado suas últimas homenagens ao homem que nos últimos 17 anos os manteve sob o ferrolho de um dos regimes mais fechados e repressivos do planeta.

As cifras divulgadas pelo governo norte-coreano saltam mais aos olhos quando comparadas com a população de Pyongyang: 3,2 milhões de pessoas, segundo dados do censo de 2008. Num país onde o transporte público é precário, 104 mil pessoas estariam passando por hora - dia e noite - diante das estátuas e retratos de Kim Jong-il: 29 por segundo.

Tais números deixariam no chinelo os funerais de outras personalidades da História recente. No velório público de John Kennedy, em 1963, 250 mil pessoas se despediram do presidente americano durante 18 horas - uma média de 13.900 por hora, e apenas 3,8 por segundo. Já a idolatrada princesa Diana levou três milhões às ruas de Londres em seu funeral em 1997. Outra figura pranteada pelas massas foi o Papa João Paulo II, cuja morte em 2005 entupiu as ruas de Roma e do Vaticano com entre 2 milhões e 4 milhões de fiéis.

Nada que se compare, pois, ao Querido Líder. No ritmo divulgado pelas autoridades norte-coreanas, até o dia 28, data do funeral, quase toda a população do país já o terá homenageado. Mais um recorde para um líder que, segundo a propaganda oficial, foi saudado não por um, mas por dois arco-íris no céu no dia de seu nascimento.

sábado, 24 de dezembro de 2011

35 Anos da Chacina da Lapa



Fiz duas reuniões nesta casa da Lapa, quando era da UNE. Reconheci a mesinha de centro que aparece nas fotos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Conto de Natal

Quando o conto foi escrito, o salário mínimo era de R$ 260,00. O Natal continua o mesmo.

Conto de Natal

O Sr. Erany informa que tem 67 anos, é aposentado e sustenta um filho epiléptico e uma mulher “com paralizia”. Nada disso é relevante para o processo em tela, mas ele, com aquela educação das pessoas humildes, acha que é necessário se apresentar e explicar minuciosamente sua história.
Tudo está informado em uma folha de papel almaço, com letra irregular e surpreendentemente legível, apesar de tremida. Aduziu que não encontra emprego, por causa da idade. Ganha R$ 260,00 de aposentadoria, o que mal deve dar para os remédios. Isso ele não revela, com aquele resto de pudor que ainda mantém.
Inicia nomeando o cargo da autoridade competente, precedido pelo indefectível Sr. Dr Fulano de Tal. O assunto é a sua inscrição em dívida ativa. A origem do débito é explicada com singeleza: para aumentar os seus proventos, montou uma barraquinha de ambulante, tudo legalizado, segundo ele. Mas assim não entendeu o fiscal municipal de postura, que lavrou o competente auto de infração. Ainda segundo ele, a multa o deixou “decepissionado”.
Não há dúvida de que o estilo é o homem. Logo à frente, pondera que a razão do não pagamento é “porque, talvez, ele não tinha dinheiro”. A frase é toda uma vida. Usa-se um eufemismo para não ofender tão alta autoridade com problemas tão prosaicos. Reconhece a obrigação de pagar e não cogita em argumentar que ela é injusta - todo o seu argumento é “ad misericordiam”.
O Sr. Erany é um daqueles homens bons, que acredita no poder de uma boa conversa, com jeitinho, sem forçar a barra. Até se excede um pouco, afirmando que, “com certeza”, o Doutor veio das classes humildes. Talvez isso fosse verdade no seu tempo, em que o filho da lavadeira começava como contínuo e ia galgando, degrau por degrau, a hierarquia do serviço público.
Os tempos agora são outros. A Carta Magna de 1988 acabou com os privilégios e decretou a igualdade de todos perante a lei. A nomeação para os cargos de carreira se faz através da aprovação em concurso público. Quero ver o filho da lavadeira, que estudou em escola pública, que escreve “paralizia” e “dessepicionado” chegar até aqui, onde eu cheguei.
Entretanto, o coitado persiste nesta crença e acha mesmo que a autoridade pode ser sensível ao seu apelo. Admitindo que o fosse, estaria cometendo crime de prevaricação se agisse contra a legislação em vigor, apesar do motivo humanitário. Tenho certeza que ele desconhece o que seja prevaricação.
Porque há o motivo. O Sr. Erany não mente. Sua exposição é uma peça inteira, consistente, uma aula de sociologia em uma única mísera lauda de papel almaço, meio amarelado. Acabo por admitir que no seu pedido há muito mais conteúdo do que no meu arrazoado. Esse meu estilo cartorial e pedante, cheio de polissílabos e de jargão jurídico, temperado com um latim macarrônico, acaba abafando as minhas convicções.
Em anexo, xerox da carteira de identidade e mais uma papelada: exames, atestados, etc. Já se acostumou a ter que provar que é ele mesmo, e que o que disse é verdade. Não perdi tempo olhando a sua foto.
Sou simpático à sua causa, não à sua figura. Ele me irrita com seus eufemismos, sua humildade, sua resignação. Indigno-me, por ele que não se indigna. Infelizmente, uma repartição pública é o lugar mais inadequado do mundo para indignações. Se o papel aceita o que se lançar nele, o papel dos processos é de um tipo especial, anti-séptico, apesar de ser freqüentado por ácaros, fungos e bactérias de todas as cepas. O chefe pode passar por alto um estilo não parlamentar, digamos assim, mas quer saber qual a motivação do despacho, o seu enquadramento legal. E é ele quem decide. Eu apenas emito um parecer, penso que acho alguma coisa, salvo melhor juízo.
É claro que indeferi de pleno o pedido, por carecer de embasamento legal. Não, não fiz nenhuma subscrição entre os colegas. O Sr. Erany que se vire para pagar a multa. Porque ele vai pagá-la, pobre não sabe sonegar e perde o sono se ficar devendo. Que seja às custas do remédio da mulher, ou do filho, pouco se me dá. A caridade não é uma das minhas virtudes. Sinto muito, não sou cristão.
Não, também não convoquei o Sr. Erany à repartição. Ele provavelmente não me escutaria. Que adiantaria eu lhe dar uma aula sobre a injustiça das taxações em geral, e desta em particular? Ele acabaria por me irritar ainda mais, pedindo para falar pessoalmente com o chefe, insistindo, querendo apenas um pouquinho de esperança.
Não há um final feliz possível para esta história. Mesmo que a multa fosse perdoada, ele continuaria, pobre, desempregado e doente. Porque sofre de câncer no fígado, conforme os laudos que anexou. Sua vida deve ter sido toda vivida nesta mesma toada, é tarde para mudá-la. É véspera de Natal e eu só queria achar um lugar neste mundo onde o ser humano fosse um pouquinho menos hipócrita e eu pudesse destilar a minha raiva sem maiores constrangimentos.